és
o desenho perfeito
da minha alegoria sentimental
és
a perfeita escultura de vento
que se estende
perpendicular à parede dos meus ouvidos
...esta tonta cabeça
faz-me rir
Da vida
do caos
do eterno devir
Retenho o ar
Desocupo pulmões
Em elevadas rotações
Artérias
Vasos
Veias
Sentem
A alma das pulsações
Se ao menos
pudesse eu
com uma navalha
Vir cá dentro
esfarrapar esta batalha
Sabes João, foi essa forma voluntária de pensar que te trouxe o desassossego.
Os teus passos caminham na direcção oposta da minha forma de sentir e no entanto culpas o vento que me veio soprar ao meu ouvido as fábulas de encantar.
Noutros tempos, foste tu a brisa mansinha que veio ao pé de mim para me abraçar e confortar o meu corpo distante. Nessa altura rias-te do meu ar pedante que mais não era o sopro da minha defesa.
Ontem rias-te por ser sempre tão vaidosa e Hoje sou muito triste por dentro, também muito teimosa.
Mas eram os sonhos que me faziam caminhar, fugia de ti para me puderes alcançar.
Dizes que a tempestade há-de acalmar? Que o vento na minha alma melhores dias irá soprar?
João, vivo no mar de solidão, de olhos vendados no vendaval da minha triste existência. É miserável condição viver neste mar de confusão. Haverá mal, João, de por vezes eu querer um colo tenro, como quando era pequenina, quando tinha o colo da minha mãe.
Tenho tudo, João, vestidos, jóias, colares, e uma terrina de cristal. Também tenho um coração paupérrimo sem pulso, outrora, extraordinariamente rico. Os batimentos do meu coração foram definhando, enquanto por TI ansiosamente aguardava. Nunca apareceste João. Apenas para comer, dormir, e dizer-me bom dia.
Não foi o sopro do vento nem os sonhos que me desumanizaram. Por entre as palavras que não me definem, nem jus fazem à minha vontade de querer ser melhor, eu tento todos os dias ser melhor.
Que queres tu de mim, se melhores ventos eu não te sei dar, e já agora, melhores marés o teu mar merecerá?
Eu que de tudo faço para agradar, que tudo tiro de mim para te dar, que tudo arrisco para não ter por ti de arriscar, levo longe demais o meu esforço e acabo sempre por cair no fosso que me cavas com palavras duras, obstinadas e vingativas. Palavras que ferem e são autênticas lanças que espetam os meus olhos, e sangro o meu corpo ao vento frio.
Aquele vento que se sente ao domingo de manhã, quando mais cedo acordamos para ir cheirar a terra, que ainda está orvalhada e molhada.
Um último adeus impera nas minhas palavras, um último destino fica nesta serena terra.
O sangue que vou derramar, não é por ti João, é por mim, mesmo não sabendo se vou para um melhor lugar.
Deus te guarde e a mim me acompanhe. Sempre tua até que a morte nos separe.
Maria Villas-boas.
Não te trago um fado.
Ou um estalado disco riscado
de palavras enroladas em cordas quebradas
Trago-te o puro e duro pensamento
de duvidares das dúvidas da Razão.
Não se trata de destino.
Ou o fatalismo do ter que ser.
Não sejas como o mundo lá fora que crê
sem nunca saber porque o Ser foi.
Não te trago um beijo de judas.
Ou não entendes as minhas recusas
de ouvir um estalado disco riscado?
Tenho dúvidas que duvides da razão.
Esvazias a alma com tanto coração
Arruínas a estranha dúvida da nossa condição
Não tenhas medo
Conta me o teu segredo
De fio a pavio
Prometo que não revelo
Onde se afundou o teu navio.
onde foste tu ontem que hoje nem te vi?
Que desarrumação a nossa vida, Clarinha. Olha à tua volta e vê se te dás conta? Algo está fora do sítio.
pára, respira, e começa de novo a contar da frente para traz, de 10 para zero.
Nada há a fazer clarinha, chegamos ao ponto da inevitável ruptura.
Tira as vendas que te ferem quando te encontras sozinha com a manhã, onde pisas a terra queimada pelo sol.
e tu bem sabes, Clarinha, que o nosso caminho não é o mais honesto. Aquiles caiu pelo calcanhar, Sanção pelo cabelo, tu caíste pela renúncia.
Suspende sob a minha cabeça, a espada de Democles, e por isso, hoje, não te falto à verdade, não queimarei mais os pés no trilho que pisas, não tenho mais sitio onde por o pé.
Não é por falta de palavra, não é por falta de fé, mas não te quero ver sempre a tropeçar no caminho que percorremos. Clarinha, o nosso caso é fácil de decompor. Não é o preciosismo meu, querer atingir o máximo de pacificação interior, ou a paz. Tu queimas-te as pontes que nos uniam, e eu incendiei o rio por vingança. Agora não me podes vir cá buscar, sou eu que quero ficar do outro lado do rio, sentado na margem do engano, dobrado como se fosse uma folha de Outono triste. Não confies que o tempo, tudo cura, que o tempo nos irá resgatar. Fomos nós que cavamos um fosso entre o ontem e o hoje, e seguimos assim, sem rumo para o Amanhã. Não quero experimentar outra viagem, a ruptura é o que me parece certo neste momento. Não quero ser eu o percursor de uma vida atormentada de fantasias, sonhos esquecidos e claro está, vidas adormecidas.
e tu bem sabes, Clarinha, que o nosso caminho não é o mais honesto. Aquiles caiu pelo calcanhar, Sanção pelo cabelo, tu caíste pela renúncia
onde foste tu ontem que hoje nem te vi?
Clarinha, hoje acordei a chamar por ti, a e a enfermeira do lar disse-me que já cá não estavas há 10 anos.
lembro-me bem do dia em que te mandei embora e de ter tanta certeza como razão.
Que desarrumação era a nossa vida clarinha, lembras-te quando foste para o hospital, e contas-te da frente para traz, de 10 para zero.
pára, respira, e começa de novo a contar da frente para traz, de 10 para zero.
Nunca chegaste a acordar. Andava eu a adiar a ruptura e tu quiseste a renuncia.
onde foste tu ontem que hoje nem te vi? Tenho imensas saudades tuas, clarinha.
Ontem, pela tarde na Confeitaria, mesmo ao fim da tardinha, ouvi o gemido do teu vestido ranger, quando apressadamente, a julgar pela pressa que levavas nos gestos, entraste na Confeitaria da D. São. Olhas-te para mim só para saber quem te olhava, nunca com a intenção de saberes quem eu era. Assim entendi.
Sei que falo assim comigo próprio, porque aqui no meu quarto ninguém me ouve, e sei que amanhã quando tornares a aparecer, com o teu vestido a varrer o ar por onde passas, apressada, voltarás outra vez só para pedir o pão, e sairás com ele na mão, acompanhada somente pela tua altivez.
Na confeitaria, ontem senti uma certa mágoa, pois julgava-me merecedor de um olhar menos ausente, não que seja louco para pedir-te um olhar com afecto, mas um olhar vazio, isso não, isso não o merecia. Eu, todos os dias apareço sem demora, baloiço nos minutos e nas horas só para te ver chegar e como recompensa recebo de ti, um olhar frio. E quase que aposto que quando abres a porta, sabes e sentes que flutuas no meu olhar.
Se foi por mal ou sem intenção, eu estou decidido a deixar de perder mais o meu tempo, por tua tamanha falta de atenção. Aqui que ninguém me ouve, sei que isto tudo pode ser fruto da minha imaginação, mas eu por ti, Rita, correria o mundo.
Que idiotice a minha, mais pareço um adolescente enamorado que um adulto esclarecido. Amanhã na confeitaria, olharei para ti friamente, como se fosses ausente, direi mesmo, como se fosses transparente e sairei apressado para que tu notes bem o meu desagrado.
Estou decidido.
Ontem na confeitaria, julguei que em mim ele reparava. Ainda olhei muito discretamente, tenho medo de ser pouco atraente ao seu olhar. Ultimamente, pode ser fruto da minha imaginação, acho que sinto uma certa atracção pela sua fisionomia, para ser sincera, até dos seus gestos, demonstra uma segurança que me faz manter uma certa distancia. Aqui que ninguém me ouve, sou bastante insegura.
Eu sei que vive sozinho no 2º andar, em frente ao meu prédio. Muitas vezes fico a observa-lo através do cortinado da minha janela, quando brinca com a filha da D. Rosa ou conversa com o porteiro, e fico sempre à espera que se dirija à confeitaria. Depois, quase como uma adolescente, vou-me arranjar, apenas para ir buscar pão. Talvez amanhã, se realmente ele de novo para mim olhar, devolver-lhe-ei um leve sorriso, quem sabe, talvez tenha coragem. É isso, amanhã talvez tenha coragem para olhar para os seus olhos castanhos, cor avelã, que me deixam sempre nervosa. Um sorriso, quem sabe, será um bom começo.
Estou decidida.
Raisparta o homem, vem aqui, senta-se, lê o jornal, olha para o relógio, e nem dá pelo meu ar atrás do balcão. Ele não é bonito, isso não é, mas é educado, e nos dias de hoje arranjar assim um homem não é fácil. Pode ser fruto da minha imaginação, mas cá para mim, acho que ele vem cá, só para ver aquela enjoadinha.
Eu cá para mim, só pode. Sim, aquela sonsa da Rita, que trabalha num escritório, no centro da cidade e julga-se mais que ninguém. Uma pirosa, que nem se sabe vestir, com botas de cano alto, horrorosas, vestidos coloridos, parece mesmo uma rameira, sempre com as unhas cumpridas. Unhas de gel, precisam de manutenção, dizia ela no outro dia à D. rosa. Até fiquei burra, com o dinheiro que ela gasta, só com o estupor das unhas. Coitado daquele que a levar, para manter uma mula assim, mais vale manter um burro a pão-de-ló.
Raisparta o homem, que só tem olhos para ela. Ou eu não me chame Maria da Conceição, se um dia destes, decidida ainda lhe abro os olhos Eu, uma mulher séria, que já tudo fiz para lhe agradar, sempre a rir-me para ele, sempre muito bem posta. Raisparta o homem, embeiçado por uma sirigaita daquelas. Tenho espelho em casa, e aqui que ninguém me ouve, até sou jeitosa, por isso, homem já teria arranjado mal eu quisesse.
Mas os homens que conheço, sei bem o que eles querem. Querem uma criada, óh óh! Uma criada. Para isso já me chega o balcão da confeitaria. Ai que nervos! Isto não fica assim, não passa de amanhã.
Estou decidida.
I
Na dobra do teu joelho
Vejo o que sobra do meu espelho.
Na ampulheta do medo
Ou na silhueta do teu segredo
Fica a curva do meu novelo.
Na turba do teu cabelo
Escorre o grão de areia
Que morre na maré-cheia
E no rio braço de mar
ao frio e ao Deus-dará
Quem me salvará?
É um passo
Do espaço, do meu lugar
Ao escasso raio de luar,
Onde só
Sobra a luz do meu pensar
Não é cruz que ando a carregar,
Mas sim o fio do novelo
Que daqui
[ Quem diz de aqui
diz até ali]
vai do teu cabelo
À dobra do
Eu joelho
II
Não vou iludir o meu sofrer
Ou mentir por teu bel-prazer
Talvez sorrir por desistir
Porque sem partir já fui antes de ir
Sou o delírio dos esquecidos
O martírio dos preteridos
Nas garras da aflição
Nas amarras da condição
Sou a triste figura da poesia
Crio o rio frio dogma da alergia
E se o pé foge do chão?
E se a fé escolhe a razão?
Perdido vou ficar
Esquecido a navegar!
Alheio à minha condição
Em cheio inspiro sem pulmão
Para aguentar este remar
Para tentar vivo chegar
Não é longe o lugar
[Quem diz lugar diz ali
e pode bem dizer aqui]
à luz do teu cabelo
na dobra do meu joelho
III
E se sem querer
Eu quiser querer
Partir para descobrir
Um outro qualquer novelo,
Noutro qualquer fio.
E se noutro qualquer cabelo
Se me prender o olhar?
Frio rio
braço de mar
Existe o Frio de Roma a pavio,
E navegar sem parar
É correr para não morrer
Neste momento
Sem alento
Tudo pode acontecer aqui
[ Quem diz aqui
muito bem pode dizer ali]
na distancia que vai
do meu cabelo
À dobra do teu joelho
Eu era a chávena de café a viajar nos teus olhos a preencher os espaços que faltavam na cozinha. E a casa encheu-se de vazio enquanto a luz percorria sem velocidade o ranger da madeira dos passos que eu, fantasma sentimental, percorria no labirinto emocional do teu hábito matinal. E enquanto a manhã emergia para me vir resgatar do choro que dentro de mim vertia, eu era a chávena de café, que viajava ausente entre o teu olhar e a mesa. Do outro lado da parede o teu olhar embateu, atravessou-me como se eu fosse translúcido ou transparente. As palavras, não apareceram, por entre nós, nem tão pouco ao pé da mesa da cozinha, ou rodopiando por entre a madeira que rangia, ou a manhã que emergia. Hoje, eu era a chávena de café e tu ilha isolada, e o silêncio num vaivém constante, entre nós viajava.
Vem por bem
meu bem
por bem querer
e não por sofrer
por bem
como quem vem
para viver
quando bem
estiveres
vem
mas por tudo querer
São sessenta e três segundos
Depois das sete
na praça de Espanha
Respira-se a cidade
Alcatrão sujo
Pó
….despojos de um verão quente
que trago nos meus ombros.
O pôr-do-sol
ocaso de triste figura
sob o dormente céu que desmaia
Um minuto depois jurei,
que eram sete da tarde.
na praça de Espanha
o tempo encolheu.
olha o mar
e ao longe verás
que não há mar nem céu
apenas o azul
do meus passos
e dos passos teus
[ enquanto ouvia um fado de Teresa de Noronha ]
Quinto elemento
Essência.
Definição:
Esventrados sonhos
nas vísceras do âmago
de quem verdadeiramente somos Foto lucas nihil
E o poeta sofria, ali no meio da praça, redondel alicerçado em sílabas amargas e palavras repudiadas.
A turba, entusiasmada gritava, Olé.
As redondilhas, tanto as maiores como a pequenas, tinham sede de vingança, e em cada ferro que o poeta recebia, furiosas e loucas de contentamento, em júbilo gritavam, Olé.
E o poeta prostrado de joelhos, no meio da praça, a sangrar palavras em desalinho, enfrentava o cavalo louco que sobre ele investia, e um cavaleiro, a quem lhe chamam, a Vida! Coisa ou facto, ou personagem, que o poeta diz não conhecer, e por tal condenaram-no a tanto.
No estrato mais alto do redondel, os decassílabos, com ar altivo, primos direitos dos sonetos, família conceituada, com enormes vestes de sílabas fonéticas, perdiam por vezes a postura, e ali ao ver mais um ferro comprido, no poeta espetado, não continham o brado e gritavam, Olé.
A vulgar multidão de versos soltos, vulgares plebeus, tão negligenciados, vestidos de branco, aglomeravam-se para ver o poeta morrer, entristecidas por cada Olé em jubilo gritado.
O poeta não os tinha escravizado, nem espartilhado, deixando existir em cada uma delas a sílabas métricas que melhor se adequavam ao sabor da pena
Deu-lhes a liberdade, podiam constituir família, com ritmo, som, e serem livres de voar sobre as ondas do mar que navegam debaixo das pálpebras da poesia branca.
E a vida?
A vida sobre o poeta cavalgava, furiosa, por em certas alturas o poeta não a ter enaltecido, e por outras ter pedido a morte como castigo.
Sobre esta terra agreste
rasgo o ar
rasgo o céu
já só há
o teu
o meu.
nosso destino?
Sobre esta árida terra
nas suas entranhas
ecoam
os meus passos errantes
Vivo onde
as pedras não tem idade.
Despedaçasse eu
a minha alma
contra estes rochedos
Esfarrapasse eu
o corpo
em busca de teus segredos
Rasgasse eu a carne
para expurgar
os meus medos
Sobre esta terra agreste
Ontem sonhei que era Deus, e olhava para os Homens, sem saber o que fazer por eles.
Tive um sonho surrealista, eu sonhei que era Deus, deformado pela sapiência em que vi os Homens em busca da vã vaidade, numa irresistível sede pelo Saber fácil.
E reparei que os Homens andam a serem enganados, não são mais que produtos aculturados, sem ter uma linha que os conduza, são pobres espíritos à procura do consumo e facilidades fúteis.
Enquanto sonhava via, os homens e as mulheres, à procura nas cartas do esoterismo astrológico a busca do Saber, é uma demanda mais fácil este tipo de busca pelo Saber, que vos leva até vós o total conhecimento, o niilismo.
Assim, sois Homens pecadores sem rede em trapézios de colunas onde não alicerçam o Saber, nem a verdadeira essência de quem sois.
Que procurais homens ? Sonhava eu.
Perdidos neste mar de tortura, de horas suspensas sobre a ponte pênsil da aflição em que o vil metal vos tolda a razão, que procurais homens, será o amor?
Que amor é esse que vos provoca a imaculada inveja, pelo próximo em favor do desfavorecimento do próximo.
Sonhei que era Deus, e senti o cheiro dos vossos egos traumatizados, egos que se rebolam na lama, e se deitam na cama, afiando o gosto pelo poder que na lama, na cama, vendem assim a vossa condição.
Prostituindo-se e conhecendo a pessoas certas, vendem as vossas miseráveis almas, em troca de uma posição de destaque, de uma profissão de futuro, que vos assegure esta pobre existência ridícula, feita de fachada sem som onde os muros de silencio vos tapam as vossas pobres mentes tão mal regadas.
Se sonhei ser Deus, interrogava-me porque teria deixado crescer estas ervas daninhas que contribuem para que o Homem; produto da cultura, seja actualmente uma sociedade produtiva de pessoas que não distinguem o trigo do joio.
Que vós homens e mulheres, que procuram o sustento, que trabalham para levar o pão à boca e que preocupam-se cada vez mais com a saúde, que de bem essencial, nunca ouve Homem em perfeito juízo que não o negasse que assim fosse, que por ultimo como fonte de alimento e sustento para a alma deveria ser a busca do Saber, não o fazem.
Se eu sonhei ser Deus, foi um sonho descabido e surrealista, porque no meu sonho vi almas pequeninas sem querer desperdiçar o tempo a ler um a bom livro, um bom filme, um bom bailado.
São as novelas que vos dominam a vida, são as pobres televisões sensacionalistas, que vos cegam e contribuem para vos criar os filtros culturais que aos vossos olhos sem moral, vos desmoralizam e vos cegam, que homens e mulheres na vossa mesquinha e vasta timidez de querer ter coragem e de mais querer, sois Homens de pouco saber e que pouco sabem. Pois o Saber não é mais que uma ferramenta que se utiliza em nosso favor, uma ferramenta que nos leva a ser quem nós nunca pensamos que poderemos um dia ser.
O meus sonho foi deveras real e tornei-me irado!
Quem vos guia o espírito nesta árdua caminhada, sois homens que não sabeis bem actualmente qual é o vosso lugar, onde as mulheres se sentem cada vez mais reprimidas e assustadas, dizem elas.
Carreira, ter filhos, ter boa presença, ter o culto do corpo. E o culto da imagem, é extenuante.
Então vós coitados, que por destino assim Deus ou lá o quem seja que nos criou, sonhava eu, quis-vos homens, perdidos a caminhar num deserto, numa perda constante de identidade, sem saber muito bem qual o papel que a actual sociedade vos reserva.
Elas, mulheres, até dizem que não compreendem os homens, aqueles bichos estranhos que são todos iguais, mas preocupam-se tanto em escolher.
E eles andam perdidos, num deserto de solidão. Não pedem muito, pedem é apenas aquilo que não devem pedir.
Que pobres homens fúteis e desinteressantes que a nossa sociedade edifica, que pobres mulheres banais se estruturam na nossa presente sociedade.
Que fascismo o meu por emitir tal opinião. Que abuso da escrita para emitir tal opinião sou eu capaz.
Mas se o faço, é apenas por uma razão. Faço-o porque posso. Simplesmente.
Faço-o porque tive um sonho e tinha de desabafar.
Quando acordei, aliviado respirei, e perguntei-me, se isto não passasse de um sonho seria muito triste, que cultura andamos a produzir para as gerações vindouras?
Por fim, a ultima pergunta e a única.
Porque será que cada vez mais há homens e mulheres, cada vez mais, fúteis, banais e desinteressantes?